FIIs ou REITs: Qual a Melhor Escolha para Sua Carteira em 2026?

FIIS ou REITs? Descubra as principais diferenças. Compare rendimentos, tributação e veja exemplos práticos.

Investir no setor imobiliário sempre foi uma das estratégias favoritas de quem busca segurança e previsibilidade financeira. Atualmente, a dúvida sobre investir em FIIs ou REITs tem se tornado cada vez mais comum entre brasileiros que desejam maximizar o potencial de proventos de suas carteiras. Enquanto os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) oferecem a conveniência de rendimentos mensais isentos, os Real Estate Investment Trusts (REITs) abrem as portas para fluxos de caixa em dólar. Entender essas duas estruturas é o primeiro passo para quem deseja construir uma renda passiva sólida e resiliente aos ciclos econômicos globais.

Muitos investidores iniciantes acreditam que ambos funcionam exatamente da mesma forma, mas existem nuances fundamentais que alteram o retorno líquido. Os FIIs são condomínios fechados de investidores, enquanto os REITs possuem uma estrutura jurídica de empresa comercial. Essa distinção impacta desde a gestão interna até a maneira como o lucro bruto é convertido em dividendos no seu bolso. Portanto, ao analisar FIIs ou REITs, você deve considerar não apenas o retorno imediato, mas também a exposição cambial e o potencial de crescimento de cada modalidade.

Neste artigo, exploraremos as principais características de cada um, as vantagens tributárias e a performance histórica dos ativos. Além disso, traremos um comparativo real para que você visualize como o tempo trabalha a favor de cada tipo de investimento. Se você busca entender qual dessas opções faz mais sentido para os seus objetivos de longo prazo, continue a leitura e aumente seu conhecimento sobre esses ativos.


As Principais Diferenças Estruturais Entre FIIs Ou REITs

No Brasil, o FII é um fundo de investimento que capta recursos para aplicar em imóveis ou títulos de dívida imobiliária. O gestor do fundo toma as decisões, mas a estrutura é regida por normas rígidas da CVM. Em contrapartida, os REITs são empresas que possuem, operam ou financiam imóveis geradores de renda. Por serem empresas, os REITs têm muito mais flexibilidade operacional.

Uma das maiores diferenças está na capacidade de alavancagem. Os FIIs brasileiros possuem restrições severas para contrair dívidas, dependendo majoritariamente de novas emissões de cotas para crescer. Já os REITs podem ir ao mercado de capitais e tomar empréstimos com taxas baixas para expandir seu portfólio de propriedades. Isso permite que os REITs americanos cresçam de forma muito mais acelerada em períodos de economia aquecida. Ao comparar FIIs ou REITs, fica claro que a estrutura de empresa confere aos americanos uma agilidade que os fundos brasileiros ainda não possuem.

Além disso, a diversificação de setores nos Estados Unidos é impressionante. Enquanto no Brasil focamos muito em galpões (HGLG11), shoppings (XPML11) e escritórios (KNRI11), lá fora você encontra ativos de antenas de 5G (AMT – American Tower), data centers (EQIX – Equinix), infraestrutura (VICI – Vici Properties) e até florestas (WY – Weyerhaeuser). Essa variedade permite que o investidor monte uma carteira extremamente específica. Por isso, ao pesar entre FIIs ou REITs, a diversificação setorial costuma ser um ponto positivo de peso para o mercado internacional.


Como Funciona A Distribuição De Dividendos

A geração de renda mensal é o grande atrativo dos fundos imobiliários no Brasil. Por lei, os FIIs devem distribuir 95% do seu lucro líquido semestral aos cotistas. Na prática, a grande maioria dos fundos opta por distribuições mensais, o que ajuda muito no planejamento financeiro do investidor pessoa física. Atualmente, os dividendos de FIIs são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que aumenta a rentabilidade líquida imediata.

Por outro lado, os REITs possuem uma regra de distribuição de pelo menos 90% do lucro tributável. Entretanto, diferente do Brasil, os dividendos nos Estados Unidos costumam ser trimestrais. Além disso, o investidor brasileiro sofre uma tributação de 30% de imposto retido na fonte pelo governo americano sobre esses proventos. Embora pareça uma desvantagem imediata na comparação, é preciso lembrar que você está recebendo em dólar, uma moeda forte.

A escolha entre a isenção fiscal brasileira e a proteção cambial americana depende da sua fase como investidor. Quem precisa de fluxo de caixa imediato em Reais pode preferir os FIIs. Já quem foca na construção de riqueza a longo prazo pode ver nos REITs uma forma de dolarizar parte da renda. Porém, para ambos, o reinvestimento dos dividendos é o motor que realmente acelera o patrimônio ao longo das décadas.


Por Que Os REITs Têm Maior Potencial de Valorização

Ao analisar as regras de distribuição de FIIs ou REITs, muitos investidores se perguntam: se o REIT precisa distribuir 90% do lucro, ele só tem 10% para crescer? A resposta curta é: não. Na verdade, os REITs possuem uma “mágica contábil” e financeira que permite expansões muito mais agressivas do que os fundos brasileiros. Entender esse mecanismo é vital para quem busca valorização de património a longo prazo.

A primeira grande diferença está na depreciação. Nos Estados Unidos, a legislação permite que os REITs deduzam o desgaste contábil dos imóveis do lucro tributável. No entanto, essa depreciação é apenas um lançamento “no papel” e não uma saída real de dinheiro do caixa. Por consequência, o lucro tributável (sobre o qual incidem os 90%) acaba sendo muito menor do que o dinheiro que realmente sobra no bolso da empresa. Esse excedente de caixa, conhecido no mercado como FFO (Funds From Operations), é o que financia as reformas e novas aquisições.

Além disso, a estrutura de empresa permite o uso estratégico de dívida. Enquanto os gestores de FIIs enfrentam barreiras para se endividar, os REITs emitem títulos no mercado com juros baixos. Se o custo da dívida é menor do que o retorno do imóvel, o REIT cresce usando o capital de terceiros. Portanto, na disputa entre FIIs ou REITs, a capacidade de financiamento dá aos americanos uma vantagem competitiva nítida na escala do negócio.


Exemplo Prático: PLD vs HGLG11 Em 10 Anos

Olhar para o histórico de 10 anos nos ajuda a entender como FIIs ou REITs podem se comportar em janelas de tempo mais longas. Assim, vamos analisar o desempenho de dois gigantes do setor logístico. De um lado, o CSHG Logística (HGLG11), um dos FIIs mais respeitados do Brasil. Do outro, a Prologis (PLD), a maior empresa de logística do mundo e um REIT listado na bolsa de Nova Iorque.

Desempenho Do HGLG11 No Brasil

Nos últimos 10 anos, o HGLG11 entregou uma rentabilidade consistente. O fundo se destaca pela qualidade de seus imóveis localizados principalmente no eixo Rio-São Paulo. O investidor que manteve suas cotas e reinvestiu os dividendos viu seu património crescer acima da inflação. Em termos nominais, o HGLG11 entrega um dividend yield atraente, muitas vezes na casa dos 8% a 10% ao ano. Contudo, esse valor é pago em uma moeda que sofre com a desvalorização perante o dólar.

Desempenho Da Prologis (PLD) Nos EUA

A Prologis opera em uma escala global. Nos últimos 10 anos, as ações da PLD apresentaram uma valorização expressiva. O ponto que confunde muitos investidores é que o Dividend Yield da PLD parece “baixo”, girando historicamente entre 2,5% e 3,5% ao ano. Entretanto, o segredo da Prologis é o crescimento constante dos proventos pagos aos seus acionistas.

Isso resulta no aumento do Yield on Cost (YOC). O investidor que comprou PLD em 2016 pagando cerca de US$ 40,00, hoje vê o dividendo anual subindo drasticamente. Embora o yield atual de tela seja nominalmente menor que o de um FII, o yield sobre o custo de quem comprou no passado pode ultrapassar os 10% ou 12% em dólar. Ao somar esse aumento real com a valorização da ação, o retorno total supera a maioria dos ativos brasileiros. O potencial de um YOC forte crescente no futuro é um diferencial dos REITs.


Tributação E Custos: O Que Você Precisa Saber

tributação de fiis e reits com figura de leão e receita federal

Muitos investidores travam na hora de investir no exterior por medo da burocracia. No entanto, o processo ficou muito mais simples. Para investir em FIIs, basta ter conta em uma corretora nacional. No caso dos REITs, você pode investir via BDRs na B3 ou abrir conta em uma corretora internacional para comprar o ativo diretamente nos EUA. Exemplos de corretoras brasileiras que negociam ações internacionais são a Nomad e o Banco Inter..

Na venda com lucro, os FIIs possuem uma alíquota fixa de 20%. Já nos REITs comprados diretamente no exterior, aplica-se uma alíquota unificada de 15% sobre o ganho de capital na venda dos ativos. Essa taxa é calculada sobre a diferença entre o preço de compra e o preço de venda, convertidos para a moeda nacional.

Os custos de corretagem e spread cambial também entram na conta da disputa entre FIIs ou REITs. Embora os FIIs sejam mais baratos para operar no dia a dia, o custo de não ter dólares na carteira pode ser muito maior a longo prazo. A inflação brasileira historicamente supera a americana, o que tende a desvalorizar o Real. Assim, a taxa paga no câmbio para investir em REITs pode ser vista como um investimento na segurança do seu património global.


Vantagens E Desvantagens De Cada Modalidade

Para facilitar sua decisão, vamos resumir os pontos fortes e as fraquezas de cada um. No lado dos FIIs, a maior vantagem é a familiaridade. Você pode visitar o shopping ou o galpão onde o fundo investe. Além disso, a isenção de IR nos dividendos facilita a vida de quem quer viver de renda no Brasil. Por outro lado, a desvantagem é a exposição total ao risco país e à volatilidade da nossa economia local.

Já nos REITs, a principal vantagem é a diversificação geográfica em mercados desenvolvidos. Você está investindo na maior economia do mundo. A liquidez é infinitamente superior; enquanto um FII grande negocia alguns milhões por dia, um REIT médio nos EUA negocia bilhões. Porém para o pequeno investidor esse ponto não é um problema. O ponto negativo fica para a tributação de 30% nos dividendos na fonte e a variação cambial, que pode ser volátil no curto prazo.

Ao analisar o cenário dos FIIs ou REITs, percebe-se que na verdade eles são complementares. Não se trata de escolher apenas um vencedor, mas de entender como cada ferramenta se encaixa na sua estratégia global. Um investidor equilibrado pode ter FIIs para pagar os boletos mensais e REITs para garantir o futuro da família em uma moeda que mantém o poder de compra global.


Estratégias Para Montar Sua Carteira Em 2026

Agora que você já domina as diferenças entre FIIs e REITs, como colocar isso em prática? Uma estratégia comum é a alocação percentual. Por exemplo, você pode decidir que 20% do seu património deve estar em imóveis. Desse montante, você poderia dividir metade em ativos brasileiros e metade em americanos para equilibrar o rendimento imediato com o crescimento de longo prazo.

Considere também o ciclo de juros. Em momentos de queda da Selic no Brasil, os FIIs têm a tendência de se valorizar. Nos Estados Unidos, o movimento dos juros pelo FED também dita o ritmo dos REITs. Como os ciclos econômicos dos dois países nem sempre estão sincronizados, manter ambos em carteira reduz a volatilidade total do seu portfólio e garante que você sempre tenha ativos performando bem.

Para ter uma noção de como encontrar bons FIIs ou REITs recomendamos a leitura dos nossos artigos: Dicas Essenciais Para Achar Fundos Imobiliários Bons e Baratos e Guia Completo: Como Investir em REITS para Renda Passiva.


Conclusão

O mercado imobiliário continua sendo um dos pilares da liberdade financeira. Ao comparar FIIs e REITs, vimos que ambos oferecem oportunidades de geração de riqueza. Enquanto os fundos brasileiros brilham pela simplicidade e isenção fiscal, os americanos oferecem escala, diversificação e proteção em dólar. A melhor escolha, na maioria das vezes, é a combinação inteligente de ambos para mitigar riscos geográficos e políticos.

Independentemente da sua escolha, o foco deve ser sempre o longo prazo e a disciplina nos aportes. Estudar cada ativo, ler os relatórios gerenciais e entender os fundamentos do setor imobiliário são atitudes que separam os vencedores dos perdedores no mercado financeiro.


Próximo Passo

Agora que você conheceu mais sobre os REITs, sabe que eles são negociados nas Bolsas de Valores Americanas. Se quiser entender mais sobre elas, Leia o nosso artigo: Bolsas De Valores Americanas: Entenda Como Funcionam e Porque Investir.


Perguntas Frequentes (FAQ)

Imagem de capa da seção de Perguntas Frequentes do blog Finanças no Ar
1. O que é melhor para renda passiva: FIIs ou REITs?
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Os FIIs tendem a ser mais indicados para quem busca renda passiva mensal em reais, pois pagam rendimentos com frequência mensal e contam com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. Já os REITs oferecem renda em dólar, o que pode proteger o poder de compra no longo prazo. A melhor escolha depende dos seus objetivos financeiros e do horizonte de investimento.
2. REITs pagam dividendos todos os meses como os FIIs?
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Na maioria dos casos, não. Os REITs normalmente distribuem dividendos de forma trimestral, enquanto os FIIs brasileiros adotam pagamentos mensais. Existem exceções no mercado americano, mas a periodicidade mais comum é trimestral.
3. Como funciona a tributação dos dividendos de FIIs e REITs?
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Os dividendos dos FIIs são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas no Brasil, desde que o fundo cumpra os requisitos legais. Já os dividendos dos REITs sofrem retenção de 30% na fonte pelo governo dos Estados Unidos, independentemente do valor investido.
4. Vale a pena investir em REITs mesmo com o imposto de 30% nos dividendos?
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Sim, dependendo da estratégia. Apesar da tributação, os REITs oferecem diversificação internacional, maior liquidez e potencial de valorização patrimonial. No longo prazo, o crescimento dos dividendos e a valorização do dólar podem compensar o impacto do imposto.
5. É possível investir em FIIs e REITs ao mesmo tempo?
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Sim. FIIs e REITs são ativos complementares em uma carteira diversificada. Enquanto os FIIs ajudam a gerar renda recorrente em reais, os REITs contribuem para a diversificação internacional e proteção cambial, reduzindo riscos no longo prazo.

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